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Cartazes Políticos LXII

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Poço sem fundo à vista

Nos séculos XVII e XVIII ainda tínhamos o ouro do Brasil e a transumância esclavagista. Mas o novo-riquismo predominava, ainda pior, esmagava toda tentativa de criação de riqueza. Portugal tem vivido, como disse António Sérgio, de uma "política de transporte" ao invés de uma "política de consolidação" da riqueza que fomos criando. Vários séculos depois parece que não aprendemos nada: gastaram-se mundos e fundos em auto-estradas num número bem acima do desejado, construiram-se estádios para europeu ver, ergueram-se escolas como nem os países ricos têm. Destruiu-se a agricultura e afundaram-se os barcos de pesca. Sobrevalorizou-se o sector terciário e deslumbrámo-nos com o consumo sem fim. Sempre fomos pobres, no contexto europeu, mas vivemos  como se fôssemos ricos. Agora estamos a pagar a factura de quem tem 100 mas gasta 250. Não sei se pode ser doutra maneira mas não se podia continuar indefinidamente assim. O que mais choca é que a classe política continua imune ...

CAUSAS DA DECADÊNCIA DOS POVOS PENINSULARES I

"No princípio do século XVII, quando Portugal deixa de ser contado entre as nações, e se desmorona por todos os lados a monarquia anómala, inconsistente e desnatural de Filipe II; quando a glória passada já não pode encobrir o ruinoso do edifício presente, e se afunda a Península sob o peso dos muitos erros acumulados, então aparece franca e patente por todos os lados a nossa improcrastinável decadência. Aparece em tudo; na política, na influencia, nos trabalhos da inteligência, na economia social e na indústria, e como consequência de tudo isto, nos costumes. A preponderância, que até então exercêramos nos negócios da Europa, desaparece para dar lugar à insignificância e à impotência. Nações novas ou obscuras erguem-se e conquistais no mundo, à nossa custa, a influência de que nos mostrámos indignos. A coroa de Espanha é posta em leilão sangrento no meio das nações, e adjudicada, no fim de doze anos de guerra, a um neto de Luís XIV. Com a dinastia estrangeira começa uma política ...

Voltaire

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Eu não sou mas que importa quem é?

O Silva das vacas

Primoroso texto de Luís Manuel Cunha in «Jornal de BARCELOS "Algumas das reminiscências da minha escola primária têm a ver com vacas. Porque a D.ª Albertina, a professora, uma mulher escalavrada e seca, mais mirrada que uva-passa, tinha um inexplicável fascínio por vacas. Primavera e vacas. De forma que, ora mandava fazer redacções sobre a primavera, ora se fixava na temática da vaca. A vaca era, assim, um assunto predilecto e de desenvolvimento obrigatório, o que, pela sua recorrência, se tornava insuportavelmente repetitivo. Um dia, o Zeca da Maria "gorda", farto de escrever que a vaca era um mamífero vertebrado, quadrúpede ruminante e muito amigo do homem a quem ajudava no trabalho e a quem fornecia leite e carne, blá, blá, blá, decidiu, num verdadeiro impulso de rebelião criativa, explicar a coisa de outra forma. E, se bem me lembro ainda, escreveu mais ou menos isto: "A vaca, tal como alguns homens, tem quatro patas, duas à frente, duas atrás, duas à direita ...

Antropofagia na actualidade

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Os "mercados" que nos comem, umas vezes lentamente, outras de um dia para o outro

Indignados 1000

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«Fui a duas manifestações na minha vida, embora só me recorde de uma, quando os EUA de Bush II invadiram o Iraque. A outra terá sido no 1 de Maio seguinte ao 25 de Abril, assegurou-me o meu pai, que me levou às cavalitas. Não tenho nada contra manifestações. Mas às vezes reforçam mais os propósitos que se pretendem combater do que pô-los verdadeiramente em causa. O sistema onde vivemos é uma entidade plástica, capaz de absorver tudo, mesmo aquilo que lhe é aparentemente antagónico. Não tenho por isso ilusões. Mas no sábado também vou. Sei que outros protestos virão. Mas há um aspecto que me é simpático neste: é transnacional. É assumir o mal-estar global. Vou caminhar ao lado de pessoas que gritarão contra a crise, a precariedade, a austeridade, a desregulação dos bancos, a dívida, uma democracia mais participativa, mais transparência, melhores líderes políticos, melhores condições de vida. Tudo coisas com as quais concordo. Mas esperem lá: conhecem alguém que não concorde com tudo...

Hieronymus Bosch

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Hieronymus Bosch

Sermão da Sexagésima Padre António Vieira

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"Os piores ouvintes que há na Igreja de Deus, são as pedras e os espinhos. E porquê? -- Os espinhos por agudos, as pedras por duras. Ouvintes de entendimentos agudos e ouvintes de vontades endurecidas são os piores que há. Os ouvintes de entendimentos agudos são maus ouvintes, porque vêm só a ouvir sutilezas, a esperar galantarias, a avaliar pensamentos, e às vezes também a picar a quem os não pica. Aliud cecidit inter spinas: O trigo não picou os espinhos, antes os espinhos o picaram a ele; e o mesmo sucede cá. Cuidais que o sermão vos picou e vós, e não é assim; vós sois os que picais o sermão. Por isto são maus ouvintes os de entendimentos agudos. Mas os de vontades endurecidas ainda são piores, porque um entendimento agudo pode ferir pelos mesmos fios, e vencer-se uma agudeza com outra maior; mas contra vontades endurecidas nenhuma coisa aproveita a agudeza, antes dana mais, porque quanto as setas são mais agudas, tanto mais facilmente se despontam na pedra. Oh! Deus nos livre...

Durer... Cristo entre Doutores

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Pormenor de "Cristo entre Doutores" Albrecht Durer