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Povo que lavas no rio

Povo que lavas no rio Que talhas com teu machado As tábuas do meu caixão Povo que lavas no rio Que talhas com teu machado As tábuas do meu caixão Há-de haver quem te defenda Que compre o teu chão sagrado Mas a tua vida não Fui ter à mesa redonda Beber em malga que esconda Um beijo de mão em mão Fui ter à mesa redonda Beber em malga que esconda Um beijo de mão em mão Era o vinho que me deste Água pura, fruto agreste Mas a tua vida não Aromas de urze e de lama Dormi com eles na cama Tive a mesma condição Aromas de urze e de lama Dormi com eles na cama Tive a mesma condição Povo, povo eu te pertenço Deste-me alturas de incenso Mas a tua vida não Ai, povo que lavas no rio Que talhas com teu machado As tábuas do meu caixão Povo que lavas no rio Que talhas com teu machado As tábuas do meu caixão Há-de haver quem te defenda Quem compre o teu chão sagrado Mas a tua vida não Pedro Homem de Melo

Fado do (meu) fado..

Sabe-se que as excepções confirmam, quase sempre, as regras às quais estão ligadas. O que é fabuloso pode ser absolutamente insuportável, que por sua vez pode ser fabuloso para logo outro que é penoso para outro, outro e ainda outro.  Só estou a falar das excepções.  Não, da panóplia de gosto um bocadinho até ao gosto desmesuradamente . Sem esquecer o gosto/não gosto límpido. Estes não possuem excepções. Aí vai: eu detesto o Fado. Por tudo. Pela forma de cantar, pelo género único (?) que representa, pelas variantes sonoras que se entroncam na arquitectura da música, pela postura do intérprete, pelo (quase) fado de ter de se gostar de Fado, sendo português. "O Fado faz parte da alma lusitana" revolve-me as entranhas e é nesses momentos que me sinto cidadão de outro país, muitas vezes, bem espanhol. Ou argentino e mergulho-me no belo Tango sul-americano. Com o Carlos Paredes excelsamente acompanhado por Astor Piazzola  . Para estes não há excepções, para mim. Detesto o F...

1 de Abril

1 de Abril de 2022: a maior mentira: "a Rússia pede desculpa e volta para casa". 

O PCP e os Vizinhos

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Em 1956 Budapest foi brutalmente invadida e devastada porque multidões de agentes da CIA imperialista ofendiam e violentavam a construção, tão recente, do paraíso finalmente terreno. Já tinha havido algo perturbador na Checoslováquia em 1948. E a construção do inqualificável Muro a dividir Berlin. Em 1961 . E a crise de Cuba em 1962 . Mas, lá está, o imperialismo americano voltava à carga e, desta vez, ainda com mais numerosos e felizes participantes, era novamente esmagado, nas ruas, pela amizade dos eternamente adorados vizinhos soviéticos, que tinham sido chamados e, a um amigo, nada se recusa. Era 1968 . E em Praga.  Grande ironia, mas fantástica, havia outro vulcão social e político a centenas de quilómetros dali, o capitalismo estrebuchava nas ruas e nas margens do Sena. Era 1968 . E em Paris. E havia ditaduras ferozes em muitos lados, Argentina, Brasil, Espanha, Portugal, Grécia, Paraguai, entre outras. O Chile ganhou, ao que parece, a Palma de Ouro da ignomínia. Em 1973 ...

Sócrates: o Pinóquio Infeliz

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D'  ....."A espuma dos dias"

Sócrates tinha um Amigo que o Corrompeu

  1,7 Milhões de euros. Prescritos. 34 Milhões de euros num carrocel Salgado-Batalha-Santos Silva, Granadeiro, Bava e o Incorruptível Sócrates. Nunca prescritos.

Sócrates: o Crime Compensa

Enorme tiro no pé: o que é uma fantasia para um, é um esquema montado de corrupção detalhada para outro. Como o próprio muito bem disse, a sua "carreira" foi ao fundo como uma das naus carregadas de saque que vinham da Índia. O homem não tem vergonha na cara mas, aos olhos de uma grande maioria, é um sujeito desprezível e corrupto. Paz à sua alma. R.I.P.

Não percebo porquê....

"Pais, professores e alunos estão “esgotados”. E ainda há três meses de aulas pela frente." Sim? Não percebo bem porquê. "-É uma realidade igual às outras." Claro. E a minha tia é esquimó. Aqui, no PÚBLICO

Casa de Palha, prédio de Habitação e Educação

Com tábuas, pregos, palha, chapas, monos, pode-se construir uma casa de palha. Frágil, pequena, insegura, tremente. Mas uma casa construída. Construir prédios sem ligação à realidade, à estrutura, à interdependência, à complexidade, às partes desconhecidas. Imóveis de vento, de espuma e de ostentação. Grande parte do nosso imobiliário mental é construído sob esta última forma.  

Café

Calmamente retira o cigarro do maço, acende-o e senta-se. A esplanada, àquela hora, está vazia. O silêncio agrada-lhe. Muitas vezes sentiu a necessidade daquele silêncio. Por vezes é tão difícil de encontrar que um raio de desespero a fere. Agora não. Abre o livro e olha para a marca que fez no canto inferior direito. Faz sempre marcas no canto inferior direito. Sempre viu marcas de paragens de leitura no canto superior direito. Deve ser por isso que marca as paragens dos livros que está a ler dessa maneira. Sente-se bem, dormiu bem, gosta de si. Relê meia página anterior perto do local mais aproximado que se lembra da véspera. Recentra-se. Recompõe-se na cadeira da esplanada já não vazia. Duas pessoas, duas clientes estão agora sentadas, num dos cantos da esplanada. Falam muito baixo, sussurrando qualquer coisa indecifrável. Fica a olhar para elas, fixa o olhar nelas. Adora observar os outros. Uma está vestida com o esmero exagerado das mulheres quarentonas que vivem sozinhas, por von...